Na última semana, todos os meios de comunicação fervilharam com notícias sobre o caso de corrupção envolvendo o atual presidente Michel Temer e a JBS, uma das maiores indústrias de alimentos do país.

As informações provenientes das investigações têm fragilizado ainda mais a política brasileira, que já está desestabilizada há algum tempo. Mas não é só na política que a corrupção causa problemas maiores e acaba prejudicando quem não está diretamente envolvido. No nosso dia a dia, temos diversas oportunidades de decidir entre ser corrupto e ser correto.

É nessas horas que a ética profissional faz toda a diferença. No post de hoje, trouxemos 5 lições que profissionais de mergulho podem aprender observando a constante prática da corrupção no nosso país. Como anda o profissionalismo no mergulho?

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Tudo deve ser feito dentro da legalidade

Legalidade no mergulho

Muitas vezes nós nos queixamos da burocracia que envolve algumas atividades do nosso cotidiano.

Coisas que parecem simples, tais como abrir uma conta em um banco, fazer matrícula em um curso ou agendar um exame, grande parte das vezes, exigem o cumprimento de alguns procedimentos que nem sempre agradam a todos.

A questão é que esses procedimentos, regulamentos e regras existem por determinados motivos: a segurança da informação, a garantia do cumprimento do acordo, o registro legal do que foi combinado e, até mesmo, nossa própria proteção.

Nós, profissionais do mergulho, temos, na nossa rotina, uma série de padrões e procedimentos que devem ser seguidos, dependendo do curso ou atividade a ser realizada.

Para ensinar alguém a mergulhar, por exemplo, é necessária se qualificar como instrutor de mergulho por alguma certificadora, além de ser obrigatório seguir alguns padrões e o método de ensino, para ter diversão e segurança para a atividade.

Infelizmente, não é tão incomum ver pessoas não qualificadas trabalhando com mergulho. Em alguns dive centers aqui no Brasil é possível ver mergulhadores com certificação avançada ou rescue diver guiando mergulhos e até (pasme) ministrando cursos.

Essas empresa fazem isso para reduzir seus custos, pois trocam o trabalho dessas pessoas por cursos, que na maioria das vezes são feitos de qualquer maneira, já que o foco é o trabalho e não a qualificação.

Lembramos que para trabalhar com mergulho é preciso, no mínimo, ser um divemaster. Apenas com a certificação de divemaster é que você está apto a guiar mergulhadores certificados e a liderar operações de mergulho.

Profissionais que abrem mão do cumprimento dos procedimentos a fim de reduzir custos operacionais, impostos ou outros serviços, e, assim, acabam prejudicando outras pessoas ou, até mesmo, colocando suas vidas em risco.

Padrões e regras são inspirados por razões reais. Vamos ser éticos e agir conforme manda o figurino, beleza? 😉

Se você é um mergulhador certificado ou apenas um turista que irá experimentar o mergulho pela primeira vez, faça a sua parte e cobre a certificação da pessoa que irá mergulhar com você. Os brasileiros estão sempre delegando a função de fiscalizar para algum órgão ou instituição, mas na verdade os verdadeiros fiscais somos nós!

A confiança constrói a reputação

Confiança no mergulho

Mesmo com tanta mudança nos últimos anos na forma como as pessoas se comunicam e trocam informações, o princípio da propaganda boca a boca continua firme e forte.

Independentemente do canal utilizado para a troca de informações (e-mail, redes sociais, blog e outros), as pessoas ainda confiam mais naquilo que ouvem de outras pessoas.

A experiência vivida e transmitida a outros conta mais do que qualquer tipo de publicidade.

Você pode investir o quanto quiser em propaganda. A sua reputação será construída com base nas experiências que você proporciona aos seus clientes.

Não adianta vender um mergulho no Caribe e levar o cliente para fazer um tour no Rio Tietê. Não adianta dizer a água está ótima para o mergulho, quando na verdade não é possível ver nem a palma da mão. Não adianta mentir dizendo que serão 30 minutos de mergulho, quando o que você faz são apenas 10. No final, são as experiências das pessoas que vão servir de base para qualquer recomendação.

Se o seu serviço é de fato compatível com a sua proposta de trabalho, isso só será percebido após seu cliente ter contato com você. Além disso, é muito pouco provável que as pessoas indiquem você antes de terem sido atendidas pelo seu serviço.

Uma reputação construída com base em autenticidade e na confiança entre você e seus clientes traz resultados muito melhores e mais duradouros para a sua carreira.

As máscaras caem um dia

Reputação n o mergulho

Nossos avós já diziam há tempos que a mentira tem pernas curtas.

Principalmente nos dias de hoje, em que tudo pode ser registrado, postado e acompanhado, fica difícil esconder uma história ou sustentar uma versão falsa dela por muito tempo. Mais cedo ou mais tarde, a verdade acaba aparecendo.

Se você, como profissional, tenta vender a ideia de algo que você não é, ou tenta vender um produto que você não tem, uma hora ou outra, as pessoas descobrirão. Pior ainda é que, depois de descoberto, sua reputação ficará extremamente comprometida.

Não adianta mentir no currículo dizendo ter uma competência ou uma formação que você não possui. Não adianta dizer na entrevista de emprego que já liderou diversas operações, quando isso não é verdade. Na primeira operação que você for liderar em seu novo emprego isso será descoberto e a mensagem que será passada é que você não é uma pessoa honesta.

A melhor maneira de manter uma boa reputação como profissional de mergulho é construir uma carreira sólida e sustentada por bons exemplos e recomendações.

Para isso é importante escolher bem as empresas onde você irá trabalhar! E não estamos falando do tamanho da empresa, mas sim da imagem da empresa no mercado. Trabalhar em empresas que não seguem padrões pode manchar a sua própria reputação.

Lembre-se, o mercado do mergulho aqui no Brasil é pequeno. Os donos de dive center se conhecem e sempre buscam indicação de instrutores e divemaster. Se você se queimar em um dive center, estará prejudicando a sua carreira!

Todos são iguais e devem ser tratados com respeito

Igualdade no mergulho

Infelizmente, ainda vemos muita discriminação no nosso dia a dia.

E não apenas discriminação racial. Muitas vezes, as pessoas são pré-avaliadas e rotuladas com base na aparência física, nas roupas que vestem, nos lugares que frequentam.

Na área do mergulho, por exemplo, é possível ver casos de profissionais e empresas que apresentam preços diferentes para as pessoas com base no poder aquisitivo que elas aparentam ter.

Ou ainda, pessoas que podem não aparentar ter condições suficientes de bancar um curso de mergulho podem ser privadas de uma explicação detalhada e completa sobre a atividade, tudo por conta de discriminação.

Lembre-se que você pode errar no seu julgamento e acabar perdendo uma venda ou até um bom cliente! Além disso, essa pessoa mesmo não adquirindo o serviço pode te indicar para outras pessoas apenas pela qualidade do seu atendimento.

Preconceito é antiético, imoral e deve ser evitado em toda e qualquer circunstância!

Assim como nós brasileiros merecemos uma equipe de governo que respeite nossos direitos e cuide do bem-estar do nosso país, todas as pessoas que procuram os seus serviços como profissional de mergulho, também devem ser respeitadas e tratadas de forma igualitária.

O lucro desonesto de hoje pode ser o prejuízo de amanhã

Honestidade no mergulho

Se já vimos que a mentira não dura muito tempo, podemos entender também que qualquer ganho que possamos obter baseado em uma história que não é verdadeira também tem os dias contados.

Você pode ficar tentado a cobrar mais do que deve por um serviço, ou a vender um equipamento que você sabe que não atenderá à necessidade do seu cliente, para ganhar um pouco mais e faturar um lucro que não estava previsto, afinal, dinheiro extra é sempre bom, não é?

Cuidado! Existem diversas razões, além da ética profissional, para que você não aja dessa forma.

Primeiro, você pode ter que assumir essa responsabilidade legalmente algum tempo depois, caso seja descoberto que você agiu de forma desonesta.

E, mesmo, que você não seja descoberto, não é correto utilizar o conhecimento técnico que você tem, ou melhor a falta desse conhecimento em outras pessoas, para ganhar dinheiro sendo desonesto.

Na carreira de um profissional de mergulho a confiança é a base do sucesso. Seus alunos terão você como um mentor e seguirão suas orientações para escolher equipamentos de mergulho, viagens e até outros cursos. Se você quebrar esta confiança estará fadado ao insucesso!

Seja sempre correto! Aja de acordo com a ética profissional, com a lei e com a empatia, pensando também no bem-estar das outras pessoas. Só assim conseguiremos manter vivo o sonho de vivermos livres da corrupção, em um mundo com mais respeito.

Você acha que é possível ser 100% correto no nosso país? Ou isso é uma utopia? Deixe sua opinião nos comentários.

Fonte de imagens: Freepik

 

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